O Governo de Minas Gerais vai criar uma nova Unidade de Conservação (UC) na sub-bacia do Rio Santo Antônio, região considerada estratégica para a conservação da biodiversidade e para a recuperação ambiental da Bacia do Rio Doce. A iniciativa integra o pacote de projetos estruturantes apresentado pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) no âmbito do Acordo de Reparação referente ao rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana.
Com investimento previsto de R$ 100 milhões ao longo de 20 anos, a futura Unidade de Conservação Santo Antônio terá como principal objetivo proteger remanescentes da Mata Atlântica, conservar ecossistemas aquáticos e contribuir para a recuperação dos estoques pesqueiros do Rio Doce.
A proposta é coordenada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e abrange os municípios de Itambé do Mato Dentro, Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar, Santo Antônio do Rio Abaixo, São Sebastião do Rio Preto e Ferros.
Segundo estudos técnicos realizados na região, o Rio Santo Antônio abriga espécies de peixes ameaçadas de extinção e de ocorrência restrita, o que reforçou a recomendação para a criação de uma área especialmente protegida. A expectativa é que a unidade contribua para a preservação desses habitats e fortaleça a recuperação ecológica de toda a bacia hidrográfica. "A criação da Unidade de Conservação representa um importante investimento para a conservação ambiental da Bacia do Rio Doce. Ao proteger ecossistemas-chave e resguardar a ictiofauna ameaçada, o projeto contribui para a recuperação da qualidade da água e dos processos ecológicos afetados pelo rompimento da Barragem de Fundão", destaca o gerente de criação de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro.
Conservação e desenvolvimento sustentável
Além da proteção ambiental, a futura unidade será estruturada para promover educação ambiental, pesquisa científica, uso público sustentável e fortalecimento das atividades econômicas compatíveis com a conservação da natureza.
Entre os benefícios esperados estão a recuperação dos ambientes aquáticos, o aumento gradual da diversidade e abundância de peixes e o fortalecimento da atividade pesqueira na região, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
O projeto prevê uma série de etapas para viabilizar a criação e implementação da área protegida. Entre elas estão a elaboração dos estudos técnicos, consultas públicas, georreferenciamento dos limites, elaboração do plano de manejo e regularização fundiária.
Próximas etapas
Atualmente, o projeto está na fase de avaliação da área da futura UC e planejamento para contratação da consultoria que será responsável pelos estudos necessários para a criação da unidade. A contratação está prevista para o segundo semestre de 2026.
O cronograma prevê a assinatura do ato oficial de criação da Unidade de Conservação em 2028. Já a conclusão da infraestrutura administrativa e das portarias está prevista para 2036.
O rompimento da barragem de Fundão causou a morte de 19 pessoas e provocou danos ambientais em grande escala. O acordo foi assinado em outubro de 2024 pelos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e Federal, os Ministérios Públicos Federal e estaduais, as Defensorias Públicas da União e estaduais e as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton.
Ascom/Sisema



