Governo de Minas investirá R$ 39,5 milhões na recuperação das populações de peixes da Bacia do Rio Doce

Notícia

Sex, 26 jun 2026
Projeto coordenado pelo IEF vai atuar em cerca de 200 municípios e fortalecer a conservação de espécies nativas de peixes da bacia do Rio Doce

Foto: Gilberto Salvador
A piabanha é uma das sete espécies ameaçadas de relevância ecológica e econômica da bacia
A piabanha é uma das sete espécies ameaçadas de relevância ecológica e econômica da bacia

O Governo de Minas Gerais, por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), dará início a um amplo trabalho de recuperação das populações de peixes da Bacia do Rio Doce. A iniciativa contará com investimentos de aproximadamente R$ 39,5 milhões provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce e terá como foco espécies de peixes nativas, ameaçadas de extinção e de importância para a atividade pesqueira. A ação será desenvolvida por meio do projeto Conservação Ex Situ da Ictiofauna da Bacia do Doce, coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). 
Com duração prevista de cinco anos, o projeto beneficiará a Bacia do Rio Doce como um todo e contará com a participação de pescadores, comunidades tradicionais e pesquisadores, fortalecendo a integração entre conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.

Uma parte do projeto será responsável pela reprodução de sete espécies ameaçadas de relevância ecológica e econômica da bacia, como o surubim-do-doce, timburé, curimba e piabanha. “O trabalho inclui ações de reprodução e conservação de espécies ameaçadas de extinção da bacia sob cuidados humano, objetivando a formação de populações de segurança, similares a um backup de computador, que poderão apoiar futuras ações de reintrodução de peixes nos rios”, afirma o gerente de Conservação e Restauração de Fauna Aquática do IEF, Leandro Guimarães.

Entre as principais atividades estão o monitoramento populacional, com a finalidade de gerar informações que subsidiem a recuperação da biodiversidade aquática da região, e o monitoramento genético, como acompanhamento da recolonização dos peixes nativos na calha. 

De acordo com Leandro Guimarães, o projeto atuará de forma integrada a outros programas em gestação pelo IEF, voltados à restauração de habitats, controle de espécies invasoras e educação ambiental. “O projeto é uma oportunidade para a recuperação das espécies nativas de peixes da bacia, principalmente as de interesse de comercial. É possível melhorar a diversidade e a quantidade de peixes nativos nos rios ao longo dos próximos anos”, finaliza o gerente.

Atualmente, o IEF finaliza a elaboração do edital para celebração de parceria com entidade da sociedade civil que responderá pelos trabalhos para a recuperação das espécies. A publicação do edital está prevista para junho de 2026 e o início dos trabalhos para dezembro do mesmo ano. 

A iniciativa integra as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, e está vinculada ao Acordo de Reparação do Rio Doce assinado em outubro de 2024 entre os governos de Minas Gerais, Espírito Santo e Federal, órgãos de justiça e as empresas Samarco, Vale e BHP.

Ascom Sisema